Prefeituras de Pequenas Cidades Oferecem Concursos de até 13 mil para Médicos

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Falta de profissionais leva cidades a motivar candidatos a se fixarem nas localidades.
Salários superam os de cargos federais e de médicos pagos em cidades como Rio e SP.

Os profissionais da área de medicina encontram boas oportunidades no interior do Brasil. Prefeituras de pequenas cidades, carentes de médicos, tentam motivar os profissionais a se fixarem nas localidades, oferecendo concursos com salários maiores que os de agente da Polícia Federal, que é de R$ 7,5 mil, e até de auditor fiscal da Receita Federal, que é de R$ 10 mil.

As melhores remunerações geralmente são oferecidas aos médicos do Programa de Saúde da Família (PSF), modelo que engloba atenção básica à saúde e é constituído por equipes responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação e reabilitação de doenças. Esses médicos têm uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Veja a lista de cargos:

Cidade: Juvenília – MG
Habitantes: 6.050

Cargo: Médico Cirurgião
Vaga: 1
Salário: 13 mil

Cargo: Médico do PSF
Vagas: 2
Salário: 11 mil

Cargo: Médico Clínico Geral
Vaga: 1
Salário: 11 mil

Cidade: Matias Cardoso – MG
Habitantes: 10.270

Cargo: Médico do PSF
Vagas: 3
Salário: 8 mil

Cidade: Angra dos Reis – RJ
Habitantes: 148.476

Cargo: Médico do PSF
Vagas: 40
Salário: 6 mil + produtividade de até R$ 2 mil

Cidade: Tambaú – SP
Habitantes: 21.913

Cargo: Médico do PSF
Vaga: 1
Salário: 7,4 mil

Cidade: Talêmaco – PR
Habitantes: 65.797

Cargo: Médico (Atenção básico à saúde)
Vagas: 12
Salário: R$ 8.599,00

A verba para o programa é repassada pelo governo federal para os municípios, que têm autonomia para contratar e remunerar os funcionários. As equipes de saúde da família, também chamadas de atenção básica à saúde, são constituídas por médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e, em algumas localidades, dentistas.
Os agentes fazem o mapeamento das famílias e detectam os problemas de saúde, e médicos e enfermeiros fazem as visitas. As equipes contam também com um posto de saúde nos municípios.
Em Juvenília, cidade de 6 mil habitantes no norte de Minas Gerais e que faz divisa com a Bahia, por exemplo, que oferece uma vaga para médico cirurgião, com salário de R$ 13 mil, duas para médico do PSF e uma para médico clínico geral, com salários de R$ 11 mil.

Segundo Edvar Rodrigues de Azevedo, chefe de gabinete da prefeitura, esse será o primeiro concurso para contratar os médicos. Atualmente há apenas um médico do PSF na cidade, e que sairá em novembro para voltar para Belo Horizonte. O outro saiu há três meses.
“Nós perdemos médicos praticamente a cada dois anos. Por isso, faremos o concurso. Os profissionais contratados sem concurso acham propostas melhores em Belo Horizonte e vão embora”, diz. O concurso será feito também para médico cirurgião e clínico geral porque a cidade não tem os dois profissionais.

A Prefeitura de Matias Cardoso, com 10 mil habitantes, localizada no norte de Minas, quase na divisa com a Bahia, às margens do Rio São Francisco, oferece salário de R$ 8 mil para três vagas de médico do PSF.

Fávio Timóteo Pereira, secretário municipal de Administração, diz que é necessário contratar os profissionais para não perder os recursos do governo federal e não deixar a população sem atendimento.

“Se não for com esse valor, não consegue contratar”, diz. Segundo ele, o concurso já tem mais de mil inscritos e a expectativa é de chegar a 2 mil candidatos. “Tem muita gente de fora da cidade se candidatando”, afirma. As inscrições acabam nesta quarta-feira (28).

Em Telêmaco Borba, cidade com cerca de 65 mil habitantes na região central do Paraná, são 12 vagas para médico do PSF, cujo salário é de R$ 8.599,00. Ricardo Arcanjo, secretário geral de gabinete, justifica a alta remuneração com a carência de pessoal.

“Além disso, o custo de vida na cidade é alto. Se o salário não for compatível, os médicos não têm incentivo de vir para o município.”

Outras cidades com concursos em andamento que oferecem salários altos para médicos do PSF são Tambaú, no estado de São Paulo, que abriu uma vaga para médico do PSF com salário de R$ 7,4 mil, e Angra dos Reis, que oferece 40 vagas para o mesmo cargo, com salário de R$ 6 mil mais produtividade que pode chegar a R$ 2 mil.

Rio e São Paulo


Os salários pagos nos cinco municípios chega a ser maior do que em grandes centros urbanos. Em São Paulo, cuja população é de quase 11 milhões de habitantes, o salário para médico do PSF é de R$ 7,5 mil. Para outras especialidades, o inicial é de R$ 3,7 mil e pode chegar a R$ 8,5 mil se o profissional fizer até oito plantões mensais de 12 horas cada um. Já a Prefeitura do Rio de Janeiro, que tem mais de 6 milhões de habitantes, a remuneração para médico do PSF é de R$ 4.473,94. Para médicos de outras especialidades é de R$ 2.073,94.

Melhores condições de trabalho

Geraldo Guedes, conselheiro representante de Minas Gerais no Conselho Federal de Medicina e coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS, acha importante a expansão do Programa de Saúde da Família pelo Brasil, mas alerta que não são apenas os salários que garantem a presença do profissional nas cidades, e sim as condições de trabalho e de desenvolvimento profissional oferecidas pelos municípios.
“Os jovens preferem ficar nos grandes centros para desenvolver a carreira profissional e aplicar melhor os conhecimentos.”
Para ele, a infra-estrutura oferecida nas cidades tem pouca capacidade para resolver os problemas de saúde.
“Os médicos não conseguem a realização profissional porque os pacientes são impedidos de ter acesso ao que a medicina pode oferecer. O drama está na hora de encaminhar para um especialista e fazer exames especializados”, diz.
Ele explica que, com a estrutura precária, as cidades pequenas acabam tendo de encaminhar pacientes para outros centros porque os postos locais não têm estrutura completa para fazer os exames.
“Aí os pacientes ficam nas ambulâncias, e os municípios têm gastos absurdos com a chamada ‘ambulância-terapia’, batendo de porta em porta em outros municípios para conseguir atendimento.”
Segundo ele, os profissionais muitas vezes se sentem frustrados porque não conseguem desenvolver aquilo que aprenderam.
Guedes defende que os municípios dividam melhor a verba federal entre os salários e também instalações adequadas para o atendimento e desenvolvimento do profissional.
De acordo com o conselheiro, há 26 mil equipes do PSF no Brasil, e cada uma cuida de 800 a 1,2 mil famílias (até 5 mil pessoas).

~ por Admin em 26 Maio 2008.

Uma resposta to “Prefeituras de Pequenas Cidades Oferecem Concursos de até 13 mil para Médicos”

  1. PARABENIZO a extrutura que tem o desenrolar do psf.em lugares que o bem estar da populaçao e prioritaria,nao o ganho de ‘prfissionais ‘que visam apenas o financeiro.como usuaria do mesmo gostaria de melhor atendimento!como profissional,gostaria de uma avaliaçao mais justa.pois o que deve ser levado em conta e seu desenpenho e nao seu grau de amizade com chefia u politicos do municipio em questao.obrigada pela atençao!!!!!!

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